domingo, 13 de maio de 2012

Talvez eu nunca tenha conseguido te ver como você é.
Nunca tenha conseguido te sentir, me aproximar de você.
preocupada de mais com minhas angustias e questionamentos ...
Eu sei que você sempre esteve ao meu lado, me aquecendo no frio,
mas eu não soube dizer obrigada.
Apesar de tudo eu acreditei...eu lutei... do meu estranho jeito de entender as coisas, eu entendia
que esse era o nosso jeito de amar.
Há tantos cacos espalhados por essa casa, pedaços de mim, de você.
Está doendo tanto, mas no entanto você nunca vai saber,
Eu nunca encontrei um bom jeito de dizer
Queria poder fugir deste lugar, e não sentir o que estou sentindo, e fazer você deixar de sentir o que esta sentindo.
Talvez eu nunca tenha conseguido ouvir  o que você realmente quis me dizer.
Sempre tão preocupada em ouvir meus próprios dilemas,
Eu sei que você sempre esteve comigo, me esperando do trabalho no ponto de ônibus, tarde da noite.
Mas eu nunca soube dizer obrigada.
Esta doendo tanto ...que eu mal consigo encontrar palavras.
Me perdoe, me perdoe, me perdoe...mas eu não quero mais me sentir só estando ao seu lado.
Eu não quero que você se sinta tão só estando ao meu lado.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

"Repostagem": A carta


A carta.

 Abril de  2010


Querido e leal marido,


Antes que comece a levantar hipóteses sobre o motivo pelo qual eu  tenha resolvido partir,
eu os falarei francamente, sem eufemismos,  meias verdades.
Há uma goteira em nosso quarto.
E a xícara de café que esqueci no criado mudo esta envolvida por dezenas de formigas.
Tem um vazamento na torneira.
E a umidade apodreceu o armário de  madeira e nele nasceu um cogumelo.
O verão acabou.
E você continua com a cabeça raspada daquele jeito que eu não gosto.
A cadela insiste em fazer suas necessidades na soleira da porta.
O gato não para de miar.
Você fez o jantar e ficou ótimo.
Eu nunca mais fiz o jantar porque detesto cozinhar.
Depois de três dias você lavou a louça que eu não tive coragem de lavar.
Os lençóis ainda estão no varal apesar de chover há quase uma semana.
Você quebrou minha unica jarra de suco.
E me obrigou a visitar sua mãe.
Não foi comigo ao enterro de minha avó.
Você me comprou um presente para me agradar porque achou que eu andava muito nervosa.
Tenho gostado de ficar no trabalho.
E quando saio do trabalho, acho poderia ficar mais um pouco no trabalho.
E que o transito não estava suficientemente caótico para  me prender na rua por mais três quartos de hora.
Você me acusa de ser egoísta.
E estou te deixando porque sou egoísta demais para dividir tanta felicidade com você.
Estou te deixando porque você não é capaz de conter o inverno que se aproxima,
porque você não é capaz de fazer parar de chover.
Porque você não sabe consertar telhados, e nem colar cacos de jarras de suco.
Estou te deixando porque você é  único imbecil patético capaz de achar que estou bonita, mesmo quando estou cinco quilos acima do meu peso.
Você me fez engordar com seus jantares deliciosos e cheio de nutrição.
Você me fez corada e bem nutrida.
Eu quebrei a antena da televisão porque não conseguia sintonizar o canal.
Não suporto mais viver com você nem com essa merda de televisão.
Se eu assistisse mais televisão não pensaria tanto no fato do quanto me parece insuportável viver com você.
Não suporto sua paciência, sua felicidade e seu bom humor.
não suporto suas piadas,
 e tenho vergonha quando você conta piadas em público.
Eu não suporto quando você para de contar suas piadas simplesmente porque eu as odeio.
Eu detesto perder o controle da situação.
E chorar para que você me perdoe.
Detesto ouvir você pedir perdão quando na verdade quem  está errada sou eu.
Sou egoísta. 
Neurótica.
Infeliz ...
Manipuladora ... e o que mais?
Ah ... e acho seus amigos um bando de ignorantes sem cultura.
Você não foi comigo no enterro da minha avó.
Quebrou minha jarra de suco.
O aluguel aumentou.
Crianças pequenas chorando me irritam.
O shopping estava cheio no sábado.
Meu shampoo acabou e nosso vizinho não para de tocar sua maldita tuba.
Sendo assim, 
eu vou nessa, cara.
Deixei aquele meu CD que você gosta, e sei que você vai ouvir todas noites que passar acordado lamentando minha partida.
Com Amor , 
sua esposa egoísta, infiel e ingrata.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

a carta 2

Quando ele terminou de ler a carta, já estava amanhecendo.
Ele chegou em casa do trabalho e observou que não estavam acesas as luzes da sala.
Abriu a porta, tirou o  tênis encharcado e colocou os perto da porta.
Esvaziou os bolsos: chaves,celular, celular,carteira e  moedas.
Decidiu preparar um café para recebe-la.
Vinte minutos se passaram até que o café ficasse pronto e passasse de quente para morno.
Até definitivamente esfriar.
Ele disca o primeiro digito do número da celular da esposa.
A discagem é direta, está salvo na memória do aparelho.
Ele escuta uma música que não lhe é  nada estranha.
Verifica: o aparelho celular da mulher toca em cima do balcão de mármore.
A pasta de trabalho dela está em cima do sofá.
Pensa que talvez ela não tenha ido trabalhar.
Ou que foi trabalhar, chegou em casa e saiu em seguida pra comprar algo para o jantar.
Mas ela nunca se preocupa com o jantar.
Talvez tenha saído pra comprar shampoo.
E ele faz uma expressão de felicidade ao lembrar do perfume  dos cabelos de sua adorada mulher.
Pensa que pode ter esquecido sua pasta.
E ainda está no trabalho, no transito...com essa chuva deve ter pego varios pontos de alagamento.
Meneou com a cabeça pensando na agonia dela, com fome e com frio.Presa num congestionamento.
Resolveu dar comida para o gato.
E pelo janela viu a cadelinha correr pelo quintal.
Decidiu lava-lo.
Mas antes colocou uma panela de feijão no fogo e uma coxas de frango para assar.
Anoiteceu e ele já se debatia em desespero.
Sem saber onde buscar noticias, resolveu ler histórico de suas conversas on line.
Marcará um encontro com dois homens diferentes em dois lugares diferentes.
Um deles um ex namorado e o outro um colega de trabalho.
Sentia se consternado, mas depois riu da situação.
Estava certo de que ela não foi se encontrar com nenhum deles.
Tomou um banho e depois de jantar, deitou-se no sofá.
Dormiu até as duas da manhã.
Ao acordar, atordoado correu para o quarto e abriu a porta do guarda-roupa.
Vazio.
Procurou por vestígios do que teria acontecido a sua insana mulher.
Lembrou se do blog em que ela escrevia quando sentia se infeliz.
Sua última postagem intitulada " A carta " era a resposta para aquela
pergunta.

domingo, 6 de novembro de 2011

Insânia

No mundo vago das idealidades
Afundei minha louca fantasia;
Cedo atraiu-me a auréola fulgidia
Da refulgência antiga das idades.

Mas ao esplendor das velhas majestades
Vacila a mente e o seu ardor esfria;
Busquei então na nebulosa fria
Das ilusões, sonhar novas idades.

Que desespero insano me apavora!
Aqui, chora um ocaso sepultado;
Ali, pompeia a luz da branca aurora

E eu tremo e hesito entre um mistério escuro
- Quero partir em busca do Passado
- Quero correr em busca do Futuro.



Augusto dos Anjos ... tentando ilustrar  os meus  dias ...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

dêem- me um martelo...



Que tédio me dá.... que tédio me dá ....

KKKKKKKKKK adoro.